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28/1/2005  


VIAGEM ENTRE AS MINAS TERRESTRES
Por Felipe Seligman

Viajar por todo o mundo, fazer matérias sobre os países visitados e tirar fotos pode parecer um sonho para muitos jornalistas. Mas imagine viajar por países atingidos por guerras, nos quais a sua segurança só depende de você. Parece loucura? Mas é exatamente esse o trabalho dos jornalistas e fotógrafos brasileiros Vinícius Sousa e Maria Eugênia Sá, ambos de 35 anos.

Naturais de São Paulo, casados e parceiros na aventura de captar um outro ângulo na cobertura jornalística internacional, eles estão no V Fórum Social Mundial – Espaço Saúde e Cultura Ernesto Guevara, no Acampamento da Juventude – para mostrar o último trabalho da dupla, a exposição de 17 fotos "Saúde, Militarização e Insegurança – um Retrato da África, Ásia e América Latina".

Na mostra fotográfica, o casal revela sua visão a respeito de Angola, Caxemira (pelo lado indiano) e Colômbia. Focam nesses países o trabalho da Cruz Vermelha, dos Médicos Sem Fronteiras e o trabalho de limpeza dos campos minados pela Halo Trust.

Seleção brasileira

A respeito das experiências que passaram nesses países, eles argumentam que a insegurança é sempre muito grande, mas o fato de serem brasileiros é um fantástico diferencial. "A camisa da seleção brasileira de futebol é nossa segurança em alguns lugares desses países", brinca Vinícius.

Essas viagens são projetos pessoais, explica – mas com o apoio de instituições como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e Médicos Sem Fronteiras. "Normalmente nós decidimos para onde vamos e arcamos com todos os gastos, para depois tentar vender o material", informa Maria Eugênia. "A dificuldade é de veiculação, pois poucos órgãos de comunicação estão interessados em mostrar essa visão brasileira".

Isso acontece, segundo eles, porque a grande maioria das agências de notícias internacionais cobrem esses conflitos, mas como uma comunicação unilateral, focalizada apenas nos interesses norte-americanos.

"Um exemplo disso é o conflito entre Índia e Paquistão, para a ocupação da Caxemira. Ninguém sabe, por exemplo, que existem 13 partidos separatistas, que não querem ocupação alguma", afirma Maria Eugênia. "Mas todos estão muito bem informados sobre a Guerra do Iraque, que interessa aos Estados Unidos".

Sobre o papel do Fórum Mundial para ajudar a solucionar problemas como os que eles vêem de perto, ambos concordam que a discussão é fundamental, mas que algumas questões importantes estão sendo deixadas de lado. "Infelizmente, a questão da Caxemira não está sendo sequer comentada", diz Vinícius.

Para os próximos trabalhos, a dupla pretende voltar à Caxemira, mas agora pelo lado paquistanês; e depois mostrar para o mundo um outro lado da América Latina, muito pouco conhecido: aquele que é repleto de minas terrestres em Colômbia.

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